8 de ago de 2008

Os Cavaleiros da Ordem do Templo

Os templários foram fundados por Hugo de Payens, depois da primeira cruzadaem 1119. São Bernado escreveu a regra dessa ordem monacal e Militar.

Os Templários eram membros de uma ordem Religiosa de monges guerreiros. O nome de Cavaleiros do Templo lhes veio porque seu convento principal e primeiro fora estabelecido junto ao local onde existira o Templo de Salomão, em Jerusalém. A finalidade da Ordem dos Cavaleiros do Templo era a de defender a Terra Santa dos ataques dos maometanos, mantendo os reinos cristãos que as Cruzadas haviam fundado no Oriente.

A Ordem do Templo e sua regra fora aprovada pela Igreja. Os Templários foram, durante muito tempo, fiéis à sua regra e à sua finalidade.

Estes cavaleiros fizeram voto de pobreza e seu símbolo passou a ser o de um cavalo montado por dois cavaleiros. Em decorrência do local de sua sede, do voto de pobreza e da fé em Cristo surgiu o nome da Ordem, "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão", ou simplesmente "Cavaleiros Templários".

Sob a divisa Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam(Sl 115,1) - (Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória).

Seu crescimento vertiginoso ao mesmo tempo que ganhava grande admiração da Europa se deu pelo grande fervor religioso e pela sua incrível força militar. Os Papas guardaram a ordem acolhendo-a sob sua imediata proteção, excluindo qualquer intervenção de qualquer outra jurisdição fosse ela secular ou episcopal. Não foram menos importantes também os benefícios temporais que tal ordem recebeu dos soberanos da Europa.

Um contemporâneo (Jacques de Vitry) descreve os Templários como "leões de guerra e cordeiros no lar; rudes cavaleiros no campo de batalha, monjes piedosos na capela; temidos pelos inimigos de Cristo, a suavidade para com Seus amigos".

Levando uma forma de vida austera não tinham medo de morrer para defender os cristãos que iam em peregrinação a Terra Santa. Como exército nunca foram muito numerosos aproximadamente não passavam de 400 cavaleiros em Jerusalém no auge da ordem, mesmo assim foram conhecidos como o terror dos maometanos. Quando presos rechaçavam com desdém a liberdade oferecida a preço de apostatarem (negar a Fé cristã).

O grande crescimento da Ordem e a perda de sua missão

Com o passar do tempo a ordem ficou riquíssima e muito poderosa: receberam várias doações de terras na Europa, ganharam enorme poder político, militar e econômico, o que acabou permitindo estabelecer uma rede de grande influência no continente, o que pode ter provocado um relaxamento da moral, sede pelo poder, pelo dinheiro.

Também começaram a ser admitido na ordem devido à necessidade de contingente, pessoas sem levar em conta os mesmos critérios do seu inicio. Logo, o fervor cristão, a vida austera e a vontade de defender os cristãos da morte deixaram de ser as motivações principais dos cavaleiros templários.

A grande riqueza da ordem atrai a atenção do Estado

Templários sendo queimados
Templários sendo queimados

Felipe IV pensou em apropriar-se dos bens dos Templários, e por isso havia posto em andamento uma estratégia de descrédito, acusando-os de heresia. A perseguição aos templários começou em 1307, quando o rei da França, acusou os templários de heresia e imoralidade.

No dia 13 de Outubro de 1307 o rei obrigou o comparecimento de todos os templários da França. Os templários foram encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia, no pergaminho redigido após a investigação dos interrogatórios, no castelo de Chinon, no qual Felipe IV da França (Felipe o Belo) havia prendido ilicitamente o último grão-mestre do Templo e alguns altos dignitários da Ordem.

O Pergaminho de Chinon atesta que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, evidenciando, assim, que a queda histórica da Ordem deu-se por causa da perda de sua missão e de razões de oportunismo político.

Da perda de sua missão o que caracterizou não mais uma vida austera como no inicio da ordem se aproveitou o Rei Felipe IV, o Belo, para se apoderar dos bens da Ordem, acusando-a de ter se corrompido. Ele encarcerou os Superiores dos Templários, e, depois de um processo iníquo, os fez queimar vivos, pois obtivera deles confissões sob tortura, que eram consideradas nulas pelas leis da Igreja e da Inquisição (Concílio de Viena (França) em 1311 e Concílio regional de Narbona (França) em 1243).

Rei Filipe IV da França - O Belo
Rei Filipe IV da França - O Belo

A sentença do Papa Clemente V a Ordem dos Templários

A ata de Chinon declara que os Templários não dissolvidos, mas absolvidos, suscitou a reação da monarquia francesa, tanto que obrigou Clemente V à ambígua discussão sancionada em 1312, durante o Concílio de Vienne, com a bula «Vox in Excelso», na qual declarava que o processo não havia comprovado a acusação de heresia, mas só a indignidade e os maus hábitos difundidos entre muitos membros da Ordem.

Ao declarar que o processo não tinha comprovado a acusação de heresia, Clemente V suspendeu a Ordem dos Templários mediante uma sentença não definitiva, sem dissolvê-la, para impedir um cisma com a França, reintegrando os altos dignitários Templários na comunhão da Igreja.

O Pergaminho de Chinon atesta que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, mostrando assim, que o Pontífice não considerou a ordem como sendo herege (conforme se especulava). E que deu a absolvição ao último grã-mestre dos Templários, Jacques de Molay, e aos cavaleiros da Ordem. O Pontífice ainda permitiu a eles "receber os sacramentos cristãos e serem acompanhados por um capelão" até os últimos momentos de sua vida.

Considerações finais

A destruição da Ordem do Templo propiciou ao Rei francês não apenas os tesouros imensos da Ordem (que estabelecera o início do sistema bancário), mas também a eliminação do exército da Igreja, o que o tornava senhor rei absoluto, na França.

Nos demais países a riqueza da ordem pertencente à Igreja em sua maioria também ficou com os respectivos Estados. A ordem dos Hospitalarios também herdou uma parte do dinheiro.

Mestres

Jacques de Molay - O último Grão-Mestre da Ordem, morreu queimadoJacques de Molay - O último Grão-Mestre da Ordem, morreu queimado
  1. Hugo de Payens (Huguens de Payns) (1118-1136)
  2. Hugue, conde de Champagne
  3. Rossal de Clairvaux
  4. Geoffro de Bissor
  5. André de Condemare
  6. Archambaud de Saint-amande
  7. Philippe de Milly (Philippus de Neapoli/de Nablus) (1169-1171)
  8. Odo de St Amand|Odo (Eudes) de St Amand ou Odon de Saint-Chamand (1171-1179)
  9. Arnaud de Toroge (Arnaldus de Turre Rubea/de Torroja) (1179-1184)
  10. Gérard de Ridefort (1185-1189)
  11. Robert de Sablé (Robertus de Sabloloi) (1191-1193)
  12. Gilbert Horal (Gilbertus Erail/Herail/Arayl/Horal/Roral) (1193-1200)
  13. Phillipe de Plessis / Plaissie`/ Plesse` /Plessiez (1201-1208)
  14. Guillaume de Chartres ou Willemus de Carnoto (1209-1219)
  15. Pedro de Montaigu|Pierre (Pedro) de Montaigu (Petrus de Monteacuto) (1219-1230)
  16. Armand de Périgord (Hermannus Petragoricensis) ou Hermann de Pierre-Grosse (???-1244)
  17. Richard de Bures (1245-1247)
  18. Guillaume de Sonnac (Guillelmus de Sonayo) (1247-1250)
  19. Renaud de Vichiers (Rainaldus de Vicherio) (1250-1256)
  20. Thomas Bérard (1256-1273)
  21. Guillaume de Beaujeu (Guillelmus de Belloico) (1273-1291)
  22. Thibaud Gaudin (Thiband Ggandin) (1291-1292)
  23. Jacques de Molay (1292-1314)

Castelos

Mapa dos Reinos e fortificações templárias na Terra Santa.
Mapa dos Reinos e fortificações templárias na Terra Santa.
Planta do Santuário da Rocha (onde outrora se encontrava o Templo de Salomão), com algumas de suas linhas de construção que podem ter servido de inspiração para os templos da Ordem.
Planta do Santuário da Rocha (onde outrora se encontrava o Templo de Salomão), com algumas de suas linhas de construção que podem ter servido de inspiração para os templos da Ordem.

Na Terra Santa

Em Portugal

Em Portugal

Igreja do Castelo dos Templários de Tomar (segunda metade séc. XII). A forma redonda da igreja evoca a igreja matriz dos templários em Jerusalém.
Igreja do Castelo dos Templários de Tomar (segunda metade séc. XII). A forma redonda da igreja evoca a igreja matriz dos templários em Jerusalém.
Castelo de Almourol junto ao rio Tejo, fundado pelo mestre Gualdim Pais.
Castelo de Almourol junto औ rio Tejo, fundado pelo mestre Gualdim Pais.

Os Templários entraram em Portugal ainda no tempo de D. Teresa, que lhes doou a povoação minhota de Fontarcada, em 1127. Um ano depois, a viúva do conde D. Henrique entregou-lhes o Castelo de Soure sob compromisso de colaborarem na conquista de terras aos mouros. Em 1145 receberam o Castelo de Longroiva e dois anos decorridos ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Santarém e ficaram responsáveis pelo território entre o Mondego e o Tejo, a montante de Santarém.

Os Templários Portugueses a partir de 1160 ficaram sediados na cidade de Tomar, onde continuou a situar-se a sua ordem sucessora, a Ordem de Cristo, depois de uma breve passagem por Castro Marim.

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